Trabalho
realizado em 2007 – Por Murilo R. Oliveira
Incrustado no agreste pernambucano -
coordenadas: latitude 8º19’12’’S e longitude 36º25’48’’W. Perpétuo Socorro,
desde 1914, cresce e fortalece suas raízes como um lugar simples, porém, cheio
de todas as “nordestinidades” que encantam a todos os que por suas terras
passam, e mais aos que aqui nascem.
Perpétuo Socorro é distrito do
Município de Alagoinha, estado de Pernambuco. Seu primeiro nome foi “Tulha de
Madeira”, proveniente da grande quantidade de tulhas de madeira resultante do
desmatamento da caatinga que cobria aquela localidade, dando lugar à construção
de residências, ao cultivo da agricultura de subsistência e pastagens para os
animais. Com o seu desenvolvimento, cresceu também a devoção do povo a Nossa
Senhora do Perpétuo Socorro, fato este que foi suficiente para conferir-lhe o nome
atual. Perpétuo Socorro fica a 12 quilômetros de Alagoinha – sede do Município
– e a 242 quilômetros da capital do Estado, apresenta um clima semi-árido
quente, com temperatura média de 25ºC e índice de precipitação pluviométrico
anual médio de 400 milímetros. Segundo o censo demográfico - Recenseamento
Geral do Brasil Pernambuco – IBGE, ano 2000, Perpétuo Socorro apresentava uma
população de aproximadamente dois mil habitantes. Estima-se que hoje, segundo
dados do Posto de Saúde local, são atendidos dois mil e seiscentos habitantes
no distrito.
Aqui estão expostos alguns
acontecimentos relevantes que contribuíram para o crescimento do Distrito,
ressaltando além dos aspectos geográficos, político, econômico e cultural o
aspecto religioso que deu início à Perpétuo Socorro, aonde durante quase um
século os famosos festejos religiosos marcam a vida dos que deles participaram.
Este relato tem base em depoimentos e trabalhos de nativos que como Leonor
Cordeiro - filha do casal fundador do Distrito - são testemunhas vivas dessa
história simples, de como se deu a formação de nosso Perpétuo Socorro.
ASPECTOS GEOFÍSICOS DO MUNICÍPIO DE
ALAGOINHA
Distando 230km da capital estadual, o Município
localiza-se na Zona Fisiográfica do Agreste – Micro Região do Vale do Ipojuca
(108) – e tem uma área de 181Km², representando 0,18% do Estado e 2,23% com
relação à MR. Tem por limites: ao norte, o Município de Pesqueira; ao Sul, os
Municípios de Pesqueira e Venturosa; a leste, o Município de Pesqueira; e a
oeste, os Municípios de Pedra e Venturosa. Predomina o clima de transição
semi-árido quente, temperatura média anual de 25ºC e precipitação pluviométrica
de 594mm (dados de 1970 a 1991). A sede municipal localiza-se a 726m de
altitude, na latitude 8º31’00’’S e longitude 36º48’00’’ W.
O solo do município é de constituição rochosa e na sua
maioria só se presta às culturas permanentes. Como restrições a outro tipo de
utilização, verificamos as limitações de relevo, fertilidade natural baixa e os
riscos de salinização.
A vegetação predominante é a caatinga agreste, a qual se
caracteriza pela presença de espécies xerófilas, decíduas, em grande número
composta por espinhos e abundância de cactáceas e bromeliáceas.
As bacias hidrográficas de Alagoinha são o Ipojuca e o
Ipanema, possuindo uma área de 1,78% e 1,95%, respectivamente. Possui, também,
inúmeros poços perfurados e seis barragens com capacidade de 210.764m³.
DE TULHA DE MADEIRA À PERPÉTUO SOCORRO
No agreste pernambucano, nas cercanias da Cidade de
Pesqueira existiam as vilas de Alagoinha e Salobro e os sítios próximos dentre
os quais o sítio “Tulha de Madeira”. No início do século passado a caatinga
densa da região começou a ser desmatada para produção de carvão e extração
troncos para cercados, sendo a madeira depositada próximo a uma “cacimba” em
forma de tulhas – daí o nome Tulha de Madeira, o local ficou conhecido como uma
região de madeira de boa qualidade, despertando o interesse financeiro dos
comerciantes próximos. Foi então que o Sr. Zacarias Virgínio casado com a Srª.
Avelina Cordeiro fixaram residência às proximidades desta cacimba, construindo
sua residência e formando sua família – isto por volta de 1914.
Iniciava-se, então, a ocupação e o desenvolvimento do Sítio Tulha de Madeira. Seguindo os passos da família de Zacarias veio sua irmã Marcelina Virgínio habitar no Sitio, sendo esta a segunda casa construída na região.
Primeira casa construída no Sítio Tulha de Madeira. Fonte: Leonor Cordeiro 1970.
Iniciava-se, então, a ocupação e o desenvolvimento do Sítio Tulha de Madeira. Seguindo os passos da família de Zacarias veio sua irmã Marcelina Virgínio habitar no Sitio, sendo esta a segunda casa construída na região.
Segundo Fábio Pereira dos SANTOS (2000 p.3) “os
moradores de Tulha de Madeira e dos Sítios vizinhos cavaram um açude que
remonta de uma velha cacimba, cavada em 1908, deste açude surgiram as primeiras
olarias de telhas e tijolos para a construção das casas do futuro povoado”.
Em 1934, já elevado ao status de Povoado, chega a Tulha de Madeira o
religioso Frei Estevão incumbido de iniciar a construção de uma capela para
atender às necessidades espirituais dos locais, uma vez que as missas eram
celebradas no “terreiro” da casa de Zacarias Virgínio.
Com a iminência da conclusão das obras da capela
consagrada a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, houve a mudança do nome do
povoado de Tulha de Madeira para povoado Perpétuo Socorro, em conjunto com a
construção da capela foram “levantadas” várias outras residências formando a
primeira rua do povoado, hoje conhecida como Rua Padre José França. Há época
foi distribuída uma carta-circular – para arrecadação de donativos destinados à
conclusão da obra - endereçada à munificência pública, datada de 29 de agosto
de 1936, a qual dizia:
Os habitantes da ribeira do Macambira,
inclusive dos sítios adjacentes, Boa União, Majé, Bom Sucesso, Caldeirão, etc.
distantes 2 ou 3 léguas e mais léguas da sede do Curato de Alagoinha,
construíram uma capela sob a invocação de N. S. do Perpétuo Socorro, conseguindo-o,
não sem muito esforço, devido à escassez de recursos, entretanto, com a melhor
boa vontade, diante do louvável empreendimento. A nova igrejinha, situada na
ribeira aludida, no local que tomou a denominação de Socorro, está sem
revestimento e limpeza, necessitando de tudo para ficar completa e
aperfeiçoada. Povo pobre, embora trabalhador, os habitantes da região
mencionada vêm-se na contingência de recorrer aos bons católicos para obtenção
de meios que facilitem a conclusão da meritória obra. Os atos religiosos
ministrados mensalmente na capela, têm tido grande afluência de fiéis e
ressaltante utilidade já por atender e satisfazer às necessidades religiosas,
já para o bem social de uma população relativamente densa e a quem tem falta de
até uma simples cadeira de instrução primária.constitui, ainda, a igrejinha,
mais um reduto para defesa da moral e do sentimento cristão, assaltados pelas
idéias materialistas e dissolventes que, apavorantemente, vêm convulsionado o
mundo. O óbulo que a generosidade e o espírito cristão de V. Excia. Contribuir,
deverá ser enviado ao Sr. José de Almeida Maciel, comerciante em Pesqueira, a
quem, confiantes nos bondosos préstimos, atribuímos o encargo de Tesoureiro. O
presidente da Comissão: Frei Estevão, OFM, (Cura de Alagoinha) – Joaquim
Ferreira Calado – Zacarias Virgínio da Silva – José Paes Gramim – Honório de
Melo Cavalcanti – Antonio Paes da silva – João Leopoldino de Almeida – José de
Almeida Maciel: Tesoureiro.
CAZUZINHA, 1941, apud MACIEL, 1998, p. 200)
Várias doações foram registradas após a circular,
destacando-se entre os demais os donativos da firma Alves de Brito & Cia,
do Recife, (importância de 200$000) e dos coronéis Araújo Maciel e Frederico do
Rego Maciel – 100$000 e 150$000 respectivamente. As mudanças físicas e os
acontecimentos ocorridos nesta época, bem como o nome das pessoas envolvidas,
podem ser ouvidos na música “Socorro Velho” composição de Djalma Tomas;
trecho da composição:
Mas Socorro velho eu não esqueço o teu passado
/ De tudo que se passou eu ainda estou lembrado / De 35 a 40, uma época
“chuvedeira” / Socorro neste tempo era TULHA DE MADEIRA / Depois mudou o nome
por causa da padroeira / Tinha a casa de CILIRO e do finado ZACARIAS / Só tinha
essas duas casas outra não havia / TONHÉ construiu outra casa e botou uma
padaria / Começaram a construir casa, casona e casinha / CHICO LUMBA veio pra
Socorro e deixou Alagoinha / Logo quando ele chegou começou uma feirinha /
Vinha gente de Socorro e vinha gente de fora / Uns ficavam morando outros iam
embora / Começaram a construir a igreja de Nossa Senhora / FREI ESTEVÃO, FREI VENÂNCIO / FREI ANTONIO E
FREI JESUÍNO / FREI ALFREDO E FREI FERNANDO / E o sacristão da igreja era
ANTONIO GALDINO / Dos mais velhos de Socorro, já não resta mais ninguém / CONTIMGUIBA
no bilhar e PEDRO BELO no armazém / TONHÉ E ZÉ GRAMIM, já estão faltando
também. / VENCESLAU, MANÉ VIRGÍNIO já estão fora de linha / AUGUSTO, ANTÔNIO DO
BODE e ANTONIO DE MARIQUINHA / CHICO LUZ E ZI DE BRANCO E GERCINO DE
CABOCLINHA. / Me lembro de ZÉ COELHO que nasceu numa barbearia / Vendo LIA E
MANUEL TRAJANO atendendo a freguesia / E o barbeiro mais velho era MANUEL MARIA
/ Lembro de PRESENTINO vendendo em sua banca / Seu JULIO no hotel com a
cabecinha branca / E ninguém me dá notícia de onde está JOAQUIM CHIANCA / Nesse
tempo em Socorro a festa era animada / Quando AMARO DE DÃO organizava a boiada
/ e LU DE TEOPISTO o dono da vaquejada / Me lembro de TONINHO fazendo cela e
rabicho / a ZULMIRA no Hotel com seu grande capricho / ZÉ HENRIQUE numa mesa
passando jogo de bicho / Noites de festa vinha gente do Totel, / Salambaia,
Carrapicho e do Campo do Magé / TICÃO passava a noite empurrando o
“carrossé”...
Djalma Tomas
Estes versos lembram muitos dos que contribuíram de
alguma forma para o crescimento local, sendo todos, sem exceção, ancestrais de
muitos dos que hoje moram no Distrito.
MANIFESTAÇÕES
RELIGIOSAS
Catolicismo
As atividades religiosas sempre foram
muito eminentes aos socorrenses, mesmo antes de qualquer assistência religiosa
oficial, “era costume da época, as famílias reunirem-se todas as tardes para
rezarem o terço. Com o passar do tempo, as pessoas sentiam necessidade de se
encontrar mais, então, reuniam-se na casa de Zacarias, diariamente, á tardinha
para fazerem orações, rezarem terços e novenas” CORDEIRO (2005, p.8), após
um consenso entre os moradores e os frades que visitaram a casa do Senhor
Zacarias Virgínio em 1934 iniciou-se a construção de uma capela no centro do
povoado, para prestar auxilio religioso aos moradores do então Tulha de
Madeira. As visitas de Frei Estevão continuaram com mais freqüência e, no final
de outubro de 1934, foi rezada a primeira missa em frente à residência de
Zacarias “e daquele dia em diante, continuaram as celebrações
esporadicamente até a conclusão da obra da capela que se localizava um pouca à
frente da atual” CORDEIRO (2005, p.8). Passaram-se anos, a comunidade foi
crescendo e o número de fiéis aumentando cada vez mais, havendo então a
necessidade de construir uma igreja maior para acomodar melhor os fiéis. “Por
volta de 1965, sob o comando de Frei Jerônimo Clemem, iniciou-se a construção
da atual igreja, erguida também em terreno pertencente a Zacarias Virgínio” CORDEIRO
(2005, p. 9) estando inacabada até os dias de hoje.
Em 1941 foi organizada a primeira festa dedicada à
padroeira, para a qual colaborou boa parte dos moradores, tendo como fundadores
o Frei Roque (pároco) e a professora Áurea Chalegre Bezerra que conduziram a
comissão organizadora da referida festa. “A fé crescia cada vez mais, e no
dia 26 de setembro de 1941 realizou-se a primeira festa oficial em homenagem a
padroeira da vila, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, presidida pelo Frei Roque,
algum tempo depois, houve a doação da primeira imagem de Nossa Senhora do
Perpétuo Socorro pelo Sr. José de Almeida Maciel” CORDEIRO (2005, p.9);
Desde então em todo último final de
semana de setembro houve a comemoração anual dedicada à padroeira, porém, no
ano de 2006, ocorreu uma modificação na forma de como se davam às comemorações,
devido ao rompimento imposto pelo Padre Edson Rodrigues (Pároco) não houve
neste ano as comemorações dedicadas à padroeira, não sendo informado à
população se seriam retomadas ou não durante a vigência do Pároco; mas, em nada
abalou a fé dos socorrenses, o acontecimento apenas serviu para fortalecer a
união dos locais que continuou celebrando a unidade do povo, mesmo sem a
participação religiosa.
Sendo um reduto de fervorosa fé, Perpétuo Socorro
“produziu” vários religiosos, dentre os quais:
·
Pe.
Luis Geraldo Melo
·
Cônego
José Maria da Silva
·
Cônego
Adilson Carlos Simões
·
Pe.
Albérico Almeida
·
Pe.
Antonio Pereira Luz
·
Pe.
Fábio Pereira dos Santos
Protestantismo
O protestantismo em Socorro é um movimento recente, em
meados da década de 1990 foram realizados os primeiros cultos – celebrados no
Clube 17 de Junho – com o intuito de arrebanhar fiéis. Atualmente há três
subdivisões protestantes que atuam no Distrito, sendo dois templos na Rua Santa
Virgínea e outra na Rua Elizeu Antunes Sobrinho.
ELETRIFICAÇÃO E MELHORIAS NA ESTRADA -
OS PRIMEIROS SINAIS DE DESENVOLVIMENTO NO DISTRITO
Até o ano de 1966 a iluminação pública
do Distrito era realizada através de um motor a óleo, que funcionava por
algumas horas à noite; as residências eram iluminadas apenas por lamparinas,
candeeiros ou lampiões; em 30 de janeiro de 1967 foi estabelecida a iluminação
elétrica, implantada pela Empresa GGEST, através de uma solicitação assinada
pelo então prefeito Joaquim Galindo, pelo Vice-prefeito Oliveiro Valença e por
Nivaldo Florentino. Em 1970, realizaram a ampliação e melhoramentos da estrada
que liga o Distrito a Alagoinha completando o trecho e viabilizando sua utilização
para automóveis. Décadas antes, as simples melhorias feitas na estrada serviram
de orgulho aos munícipes, fato este que foi mencionado em uma nota enviada ao
jornal “A Voz de Pesqueira” de 26/01/1941:
Trata-se do aproveitamento do trecho entre o
‘Sítio do Doutor’ e a casa de Pedro Cazuza. É estrada antiga, freqüentada por
pedestres, almocreves, etc., necessitando apenas de reparos e roçagens
laterais. Ficaria o caminho mais direto, diminuindo talvez de três quilômetros
(...) vai até perto de Alagoinha (meia légua) (...)
CAZUZINHA, 1941, apud MACIEL, 1998, p. 203.
O desenvolvimento sócio-econômico
sempre foi uma marca dos que habitam em Socorro, seja no presente ou no
passado, a prosperidade é a meta dos locais.
POLÍTICA SOCORRENSE
Em 1948 com a emancipação política de Alagoinha, Socorro,
que era parte do município de Pesqueira, passou a “pertencer” a mesma sendo
elevado à categoria de 1º Distrito em 1953. Nas décadas de 50 e 60 dentre os
homens que contribuíram para o desenvolvimento local, destacam-se dois, que
segundo Fábio P. dos SANTOS deve-se muito por suas contribuições:
O primeiro (...) o alemão Frei Jerônimo Clemem
não se satisfez só com o aspecto espiritual, e partiu para o social. Foi
responsável direto por muitos melhoramentos na vila, os quais destacamos: o
açude que abastece a vila (açude do padre), Posto de Saúde e a belíssima igreja
católica que temos, iniciada em 1967 (ainda não concluída) e outras atividades.
O segundo, Jader de Freitas Filho (Jadinho), nascido em 1915 (...) pertenceu a
Câmara de Vereadores, Casa Manuel Isidoro Sobrinho, de 1972 a 1988 e
vice-prefeito eleito em 1988 até 19 de novembro de 1989 dia de seu falecimento.
A eles devemos boa parte do nosso progresso.
SANTOS (2000 p.5)
No ano de 1963, o deputado estadual Luiz Neves leva à
Assembléia Legislativa o projeto de emancipação política de Socorro, porém não
sendo bem sucedido, pois, “Socorro foi prejudicado por alguns daqueles que o
seu solo ajudou a criar” SANTOS (2000, p. 7) devido aos interesses financeiros
de Alagoinha o projeto foi derrubado sendo “esquecido” até hoje. A comunidade –
tanto de Perpétuo Socorro enquanto Distrito como também Alagoinha enquanto
cidade – sempre foi dividida em dois blocos políticos bem distintos, os verdes
(bocas-pretas) e os vermelhos (os borós), “não podíamos deixar de mencionar
as eternas disputas políticas entre Manuel Izidoro e Nino Galindo, que sempre
dividiam a comunidade” SANTOS (2000, p.7). Dentre as personalidades
políticas históricas do Estado de Pernambuco, podemos citar Roberto Magalhães e
Miguel Arraes, ambos Governadores do Estado, que visitaram o Distrito em épocas
de militância política.
Representantes socorrenses na política
municipal:
·
Adágio
Paes da Silva – vereador
·
Elizeu
Antunes de Oliveira – vereador
·
Ramiro
Mendes da silva – vereador e vice-prefeito
·
Francisco
Lumba de Oliveira – vereador, vice-prefeito e prefeito
·
Oliveira
Florentino Valença – vice-prefeito
·
José
Paes Gramim – vice-prefeito
·
Antonio
Cordeiro Paes – vice-prefeito
·
Antonio
Francisco Filho – vice-prefeito
·
Jader
de Freitas Filho – vereador e vice-prefeito
·
Ramirinho
– vereador
·
José
Ednaldo dos Santos – vereador
·
José
Zito Cavalcante – vereador
·
Elizio
Paes de Lira – vereador
·
Marcos
José Justino – vereador
·
Rubens
Ferreira Diniz – vereador
·
Edilane
Maria Oliveira – Vice-prefeita
ECONOMIA SOCORRENSE
As atividades econômicas em Socorro tiveram início junto com a
construção da primeira capela do Distrito, antes, os alimentos não produzidos
pelas famílias vinham das feiras livres de Salobro ou de Alagoinha; foi quando
o Sr. Chico Lumba e o Sr. Cirilo Antunes iniciaram por conta própria uma
tentativa de formar a feira livre em Socorro “a nossa feira, no início, era
realizada expondo os produtos no chão; as carnes eram abatidas e expostas em
frente à residência do Sr. Cirilo Antunes; onde havia duas árvores
(catingueiras) que possibilitavam a matança e o comércio direto” SANTOS
(2000, p.8), “a feira reúne-se aos sábados, ainda com reduzida concorrência,
mas funciona regularmente. Foi principal incentivador da mesma, o operoso
comerciante, Sr. Francisco Lumba, estabelecido com armazém de compras de
algodão, mamona, etc. é procurador municipal, o Sr. Amaro Francisco Paes e
autoridade policial, o comerciante, Sr. Antonio Paes. A arrecadação municipal,
nos últimos 10 meses, já excede de 5.000$000” (CAZUZINHA, 1941, apud
MACIEL, 1998, p. 200). Os principais produtos comercializados eram carnes,
algodão, mamona, feijão e farinha de mandioca. Esta última foi protagonista do
desenvolvimento financeiro do Distrito durante toda a década de 80 e início dos
anos 90 quando funcionavam quatro casas de beneficiamento de mandioca, as
chamadas “casas-de-farinha”, o produto era exportado para todas as localidades
circunvizinhas e para outros estados como Alagoas e Paraíba, foi uma época de
ascendência econômica, sendo cessada no início dos anos 90 com a intensificação
das fiscalizações que coibiam o trabalho de menores, o que diminuiu a mão de
obra disponível provocando a inviabilidade do processo de produção. Atualmente
há apenas uma “casa-de-farinha” remanescente, porém, as atividades comerciais
são bem menos intensas.
O açougue público é bem estruturado, atendendo as normas municipais e
mantém atividades expressivas, sendo em média abatidos semanalmente – às
sextas-feiras – dez bovinos, seis caprinos/ovinos e seis suínos; o que é um
número significativo em relação à quantidade de habitantes, sendo este,
fornecedor de carnes para os sítios e povoados próximos e também para a sede do
município, porém, segundo os relatos do Sr. Cazuzinha, nem sempre foi assim: “as
carnes são expostas presentemente na feira, ao sol e à chuva, urgindo uma
providencia. Mesmo que seja um pavilhão livre, somente com a coberta, faz-se
conveniente. O açougue é, também, um ponto de receita para o erário municipal”
(CAZUZINHA, 1941, apud MACIEL, 1998, p. 202). Além das carnes, há no distrito
um intenso comércio de animais vivos: bovinos, ovinos, caprinos, suínos,
eqüinos, asininos e aves são comprados e vendidos aos sábados na feira livre –
ao lado do açougue – e na sexta anterior à feira livre são comercializados na
cidade de Capoeiras, na qual acontece a famosa feira semanal que é freqüentada
pelos socorrenses desde seu surgimento.
A produção agrícola local
desenvolve-se de acordo com as sazonalidades, sendo o solo manuseado de forma
tradicional, num ciclo de queimadas e monocultura, como por exemplo: feijão,
milho e mandioca que são os principais produtos cultivados, recentemente o
cultivo do sorgo vem se destacando sendo destinado à forragem animal como
suplemento vitamínico à palma forrageira. Porém, pode-se considerar Perpétuo
Socorro uma bacia leiteira, pois, a produção de queijo tipo coalho semanalmente
supera cinco toneladas – o que requer para sua produção 40 mil litros de leite
cru -, o produto escoa principalmente para a Capital do Estado, e para as
cidades de Cachoeirinha e Capoeiras. Há em funcionamento uma fábrica de queijos
legalizada e mais três em processo de legalização ou construção.
Recentemente, entrou em funcionamento uma fábrica de
beneficiamento de frutas, a qual, produz polpa de frutas in natura sendo
consumida em sua maioria no comércio local e o excedente é exportado para
cidades próximas, a matéria prima é extraída primordialmente das propriedades
locais.
O comércio socorrense desenvolveu-se exponencialmente,
até o primeiro semestre de 2007 a comunidade conta com os serviços do diverso
comércio local, disponde de três padarias, um supermercado, quatro mercadinhos,
uma soverteria, uma farmácia, dois fornecedores de insumos agrícolas, três
casas de material para construção, duas lojas de eletrodomésticos, uma casa de
aviamentos, duas vídeo locadoras, há uma média de doze lojinhas de roupas e
acessórios pessoais; e vários bares e botecos.
EDUCAÇÃO EM PERPÉTUO SOCORRO
“ABC” da educação no distrito
“Em uma casa sem reboco e sem ladrilho, onde fazem
compras de queijos nos dias de feira, privada dos necessários requisitos. É
habitação de família, cedida a favor, para o funcionamento das aulas”
(CAZUZINHA, 1941, apud MACIEL, 1998, p. 203) Em 1941 entra em
funcionamento a primeira escola socorrense, a cargo da professora Áurea Bezerra
devido à precariedade da situação movimentos políticos deram início as
construções destinadas à educação no distrito, segundo Santos:
Até o ano de 1936, as aulas eram dadas em
residências de alguns habitantes, pois não havia escolas. Então, o prefeito de
Pesqueira Tenente Dorgival Galindo mandou construir uma escola, que se chamou
Escola José de Almeida Maciel. Depois foi construída também a Escola Zacarias
Virginio. Depois foi construída uma outra escola, a José Paes Gramim com duas
salas de aula. Em 1981, o prefeito Brasilino Baía de Lima conseguiu a
legislação da escola, que esta registrada na portaria 7654, nº de inscrição
20.936.00 de 08/10/1981. SANTOS (2000, p.8):
ATIVIDADES RECREATIVAS EM PERPÉTUO
SOCORRO
Perpétuo Socorro sempre foi palco de festividades, “o
ritmo preferido dos socorrenses era o bolero, que era interrompido pelo forró
no São João e pelo frevo no Carnaval” SANTOS (2000, p.6) antes da
construção do Clube 17 de Junho não havia local apropriado para festas, estas,
eram realizadas em Salões e Residências, organizadas por Manuel Batista e
animadas por Geraldo Freitas, foi por ocasião da copa do mundo de 1962, no dia
17 de Junho do mesmo ano, que os moradores decidiram iniciar a construção de um
salão destinado às comemorações, anos depois foi inaugurado – mesmo inacabado –
e batizado com o nome do dia em que houve a resolução de sua construção. Sempre
houve as festas religiosas que eram acompanhadas de forrós de rua, no mês de
maio e setembro aconteciam e acontecem manifestações nas ruas do Distrito.
Sempre que possível às comemorações juninas são
realizadas na palhoça “Chamego do Povo” aonde semanalmente ocorrem quadrilhas e
folguedos, porém, são tradicionais os bailes de São João e São Pedro no clube,
ambos seguidos pelas ressacas, que são festas menores nos dias seguintes aos
bailes. Outro lugar onde ocorrem comemorações que estão tornando-se “novas
tradições” é a Escola José Paes Gramim, que segue um calendário fixo de
festividades ligadas às datas significativas aos alunos.
Conheça a nossa história, valorize a nossa história!

Nenhum comentário:
Postar um comentário